Após décadas conectando americanos ao seu serviço online e à internet por meio de linhas telefônicas, a AOL anunciou recentemente que encerrará definitivamente seu serviço de internet discada em 30 de setembro de 2025. O anúncio marca o fim de uma tecnologia que serviu como principal porta de entrada para a World Wide Web para milhões de usuários durante os anos 1990 e início dos anos 2000.
A AOL confirmou a data de encerramento em uma mensagem de ajuda aos clientes: “A AOL avalia rotineiramente seus produtos e serviços e decidiu descontinuar a internet discada. Este serviço não estará mais disponível nos planos da AOL.”
Juntamente com o serviço de internet discada, a AOL anunciou que desativará seu software AOL Dialer e o navegador AOL Shield na mesma data. O software AOL Dialer gerenciava o processo de conexão entre computadores e a rede da AOL, enquanto o Shield era um navegador otimizado para conexões mais lentas e sistemas operacionais mais antigos.
O serviço de acesso discado da AOL foi lançado como “America Online” em 1991, como um serviço comercial fechado, com raízes na tecnologia de acesso discado que remontam ao Quantum Link para computadores Commodore em 1985. No entanto, a AOL ainda não fornecia acesso à internet propriamente dito: a capacidade de navegar na World Wide Web, acessar grupos de notícias ou usar serviços como o Gopher só foi lançada em 1994. Antes disso, os usuários da AOL só podiam acessar conteúdo hospedado nos próprios servidores da empresa.
Quando a AOL finalmente abriu suas portas para a internet em 1994, os sites eram medidos em kilobytes, as imagens eram pequenas e compactadas, e vídeos eram praticamente impossíveis. O serviço da AOL cresceu junto com a própria web, atingindo um pico de mais de 25 milhões de assinantes no início dos anos 2000, antes que a adoção da banda larga acelerasse seu declínio.
De acordo com dados do Censo dos EUA de 2022, aproximadamente 175.000 residências americanas ainda se conectam à internet por meio de conexões discadas. Esses usuários geralmente vivem em áreas rurais onde a infraestrutura de banda larga não existe ou permanece proibitivamente cara para instalar.
Para esses usuários, as alternativas são limitadas. A internet via satélite atende atualmente cerca de 2 a 3 milhões de assinantes nos EUA, divididos entre vários serviços, oferecendo velocidades muito superiores às da conexão discada, mas frequentemente com limites de dados e maior latência. A banda larga tradicional por meio de conexões DSL, cabo ou fibra óptica atende à grande maioria dos usuários de internet nos EUA, mas requer investimentos em infraestrutura que nem sempre são economicamente viáveis em áreas pouco povoadas.
A persistência da conexão discada evidencia a contínua desigualdade digital nos Estados Unidos. Enquanto os usuários urbanos desfrutam de conexões de fibra óptica de gigabit, alguns moradores rurais ainda dependem da mesma tecnologia que impulsionou a internet em 1995. Mesmo tarefas básicas, como carregar uma página da web moderna — projetada para velocidades de banda larga — podem levar minutos em uma conexão discada, ou às vezes simplesmente não funcionam. A diferença entre a internet discada e as conexões modernas é impressionante. Uma conexão discada típica oferecia 0,056 megabits por segundo, enquanto a conexão de fibra óptica atual fornece, em média, 500 Mbps — quase 9.000 vezes mais rápida. Para se ter uma ideia, baixar uma única foto em alta resolução, que carrega instantaneamente na banda larga, levaria vários minutos em uma conexão discada. Um filme transmitido em tempo real na Netflix exigiria dias de download. Mas, para milhões de americanos que viveram a era da internet discada, essas estatísticas contam apenas parte da história.
O som da internet primitiva
Para aqueles que se conectaram antes da banda larga, a internet discada significava um ritual específico: clicar no botão de discagem, ouvir o modem discar um número de acesso local e, em seguida, ouvir a sequência de handshake característica — uma cacofonia de estática, bipes e chiados que indicava que o computador estava negociando uma conexão com os servidores da AOL. Uma vez conectados, os usuários pagavam por hora ou por meio de planos mensais que ofereciam horas limitadas de acesso.
A tecnologia funcionava convertendo dados digitais em sinais de áudio que trafegavam por linhas telefônicas padrão, originalmente projetadas no século XIX para chamadas de voz. Isso significava que os usuários não podiam receber chamadas telefônicas enquanto estavam online, o que levava a inúmeras disputas familiares pelo tempo de uso da internet. Os modems mais rápidos para consumidores atingiam, no máximo, 56 kilobits por segundo em condições ideais.
A AOL não inventou o acesso discado à internet, mas aperfeiçoou a arte de torná-lo acessível a usuários sem conhecimento técnico. Enquanto os concorrentes exigiam que os usuários entendessem conceitos como configurações PPP e TCP/IP, a AOL fornecia um único pacote de software que cuidava de tudo. Os usuários só precisavam inserir um dos bilhões de CDs que a empresa enviava pelo correio, instalar o software e clicar em “Conectar”.










